GERAÇÃO PERFORMANCE

Uma questão de Identidade Sexual,Identidade de Gênero e Ética



Autora: Jane Rodrigues

CRP 05/2383

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Barra da Tijuca – Rio de Janeiro/RJ

CEP: 22630-010





INTRODUÇÃO

Não tendo encontrado nada em Perls sobre o desenvolvimento e formação de identidade, identidade sexual e identidade de gênero, tenho pesquisado na Psicanálise e na teoria de Reich.
Em termos de Formação de Identidade, Perls se ocupou mais com os aspectos fenomenológicos da fase pós- verbal, Freud se ocupou mais com os aspectos do desenvolvimento pré- verbal e Reich ocupou-se com os aspectos de desenvolvimento pré e pós verbais, ou seja desde a fecundação e da vida intra-uterina em diante.
Então, este texto é uma leitura e síntese que fiz , dos três.
Essa leitura se ocupa do desenvolvimento saudável da identidade e subjetivação e, seus distúrbios.



PROCESSO DE SUBJETIVAÇÃO

Na verdade, o desenvolvimento da identidade se dá num constante processo de conscientização corporal (em termos estruturais bio-psíquicos), sensoriais e afetivas e de processos de introjeção, identificação, discriminação e diferenciação = um processo de des-identificação, na busca do seu próprio eu, do sentir “Ser Si Mesmo” tanto corporalmente, como em sua essência mais íntima e tanto quanto em suas relações.

Neste processo de subjetivação, a figura materna é tão importante quanto a figura paterna.

A mãe “conhece” e o pai “re-conhece”.

Qualquer um dos dois que não cumpra estes papéis,pode deixar lacunas e/ou situações inacabadas que perturbam a formação de identidade de uma pessoa.


Processo das Meninas:


Introjeção seguida de Identificação com a figura materna (mulher, feminina, o primeiro amor) seguida de Diferenciação (eu e ela = eu e não eu) seguida de sua Subjetivação,onde alguns aspectos assimilados da figura feminina, estruturam o suficiente para o encontro com o diferente : a figura paterna (homem,masculino, o segundo amor).

Mais tarde, estando já integrada em sua condição de mulher- feminina, com aspectos estruturantes da figura materna e apoio paterno, a jovem mulher se sente preparada, o suficiente, para o encontro com a figura homem-masculino que não é seu pai: o homem (terceiro amor e o primeiro homem que não é a figura paterna e que a atrai pelo diferente,através do qual,ela se permite sentir amor E atração sexual.
OBS: As meninas não precisam passar pelo doloroso processo de "des-identificação" da figura feminina. Ela só tem que se diferenciar da mulher-mãe para se apossar de SEU eu mulher-feminina, de sua unicidade, em relação à mãe.


Processo dos Meninos:



Introjeção seguida da 1ª Identificação: com a figura materna (mulher, feminina, o primeiro amor) seguida da 1ª Diferenciação (eu / ela, eu/não eu , mulher/homem e feminino/masculino) seguida da "Des-identificação" do universo mulher/feminina e Afastamento da figura feminina para seguir em direção à 2ª Identificação: com a figura paterna (homem/masculino, segundo amor) .
seguida da 2ª Diferenciação (eu e ele= eu/ não eu) –para formação de sua Subjetivação .

Mais tarde, estando já integrado em sua condição de homem/masculino, com aspectos de sua aceitação pela figura materna e da referência paterna o jovem homem se sente preparado, o suficiente, para o encontro com a figura mulher/feminina que não é sua mãe: a mulher/feminina (terceiro amor e a primeira mulher que não é a figura materna e que o atrai pelo diferente,através do qual, ele se permite sentir amor E atração sexual.
Processo doloroso de "des-identificar-se" e afastar-se de seu primeiro amor (feminino) para identificar-se com as características da figura masculina- paterna.

Difícil processo de dupla identificação e dupla diferenciação: em relação à mãe e em relação ao pai.
Estando já integrado em sua condição homem/masculino, seus aspectos assimilados e apoiados tanto pela figura materna como paterna, estruturam-no o suficiente para o encontro com a figura feminina: a mulher/feminina (= terceiro amor)

Obviamente, que nem sempre estes processos de subjetivação da mulher e do homem transcorrem assim, como chamo,“redondinho”.

Há os “acidentes de percurso” que se constituem das atitudes materna e paterna, das relações entre este casal, do que é passado em termos do que é feminino e masculino e, deste casal em relação a seus filhos(as), das dinâmicas familiares e de como a menina e o menino experenciam tudo isto.


IDENTIDADE SEXUAL

Identidade sexual tem a ver com nosso corpo.
Nascemos homens ou mulheres.
Nosso DNA é XX ou XY a menos nos casos de anomalias genéticas.


O que caracteriza o corpo sexual do homem são seus hormônios, sua forma angulosa, seu pênis, bolsa escrotal , produção de esperma, suas características secundárias como maior distribuição de pelos no corpo, pomo de Adão saliente, tendência para uma voz mais grave, força muscular . O homem é o que fecunda.


O que caracteriza corpo sexual das mulheres são seus hormônios, sua forma arredondada, sua vagina, útero, ovários, seios, capacidade de ovulação e menstruação,
possibilidade de gravidez, aleitamento, tendência para uma voz mais suave . A mulher é a gestante e a parturiente.

Casal e Enamoramento


Então aqui temos o homem e a mulher que se encontram e se enamoram.
Há um campo energético de cada um e o campo energético entre eles, que se atraem por semelhanças e diferenças.
Cada um traz inscrito, no corpo, a sua história de vida, com seus valores, suas crenças, suas atitudes, seus afetos, desafetos, sucessos e fracassos, realidades e ilusões, sonhos e esperanças, muitas inseguranças, certezas e expectativas. Papéis E couraças...

Cada um portador de um quantum energético para disponibilizar para a relação e para a fecundação de um novo ser.
São estas pessoas, com este campo energético e com estas histórias, que vão fecundar um outro corpo energético.
A figura paterna, o homem do casal, pode e deve contribuir com suas atitudes para o bem-estar da mulher e de seus filhos, co-laborar = trabalhar junto com a mulher, dando-lhe afeto, compreensão, solidariedade, contato,
”holding” ,suporte e campo (contorno e ressonância).

A presença do homem é de fundamental importância e necessidade tanto para a mulher como para o bebê.

Que geste a criança junto com sua mulher, assim como, junto com ela, a fecundou.
Energéticamente, o feto e, posteriormente, o bebê sentem a presença e/ou a ausência da energia feminina e masculina.
A vibração e pulsação energética masculinas são diferentes da vibração e pulsação energética femininas, bastando para tanto lembrarmos do símbolo yin/yang - onde um complementa o outro formando um todo harmônico, ou não, às vezes.

O feto é capaz de sentir, ouvir e diferenciar a voz paterna, da materna.
Dentro do útero a voz paterna chega mais aguda e a voz materna chega mais grave, por causa do líquido
amniótico no qual o bebê flutua.

Fora do útero, os tons de voz se modificam para os ouvidos do bebê: a voz do pai é mais grave e a voz da mãe mais aguda. Por esta razão, muitos bebês recém-nascidos, quando estão sendo amamentados, tentam virar a cabeça ao ouvir a voz paterna, no sentido de uma re-orientação, no mundo da realidade externa.

Com os olhos o bebê se orienta em relação à mãe, com os ouvidos ele se re-orienta em relação à mãe e ao pai.


"Dentro e Fora da barriga"


Todos os distúrbios intra-uterinos vão comprometer em maior ou menor grau o desenvolvimento posterior da identidade do indivíduo sendo, portanto, fundamental para o desenvolvimento saudável que as dinâmicas funcionais desta fase intra-uterina sejam as mais harmônicas possíveis, sem estresse desde a fase embrionária.
-A condição do medo embrionário leva à condição autista, uma vez que o embrião não tem condições de enfrentar ou lidar com medo entrando em contração celular, o que envolve a contração do organismo como um todo resultanto numa ausência de pulsação: (expansão-contração-expansão-contração). Não se descobriu até hoje uma forma de reverter o autismo.
-A condição do medo fetal leva a uma condição psicótica e nesta fase, o feto possui formas de enfrentar e lidar com o medo porque já possui, evolutivamente, o que se chama de órgãos de choque, ou seja um aparato sensório - motor. A contração não se dá a nível celular como no autismo. Este núcleo psicótico pode vir a ser compensado ou encoberto por formas de agir aprendidas. Neste caso o trabalho deverá ser através do re-equilíbrio do ritmo pessoal, próprio e natural, o re-equilíbrio funcional perturbado, isto é da própria pulsação da identidade corporal, o Self. (expansão e contração = agradável e desagradável, que têm a ver com os Sistema Simpáticos e Parassimpáticos, respectivamente)


O desenvolvimento da identidade sexual se inicia no terceiro mês de gestação pela diferenciação de genitália e desenvolvimento neuro-endócrino, neuro-hormonal.

A situação pré-natal diz respeito ao temperamento com que cada um de nós nasce. O temperamento não muda porque sua origem é celular e energética, é decorrente do predomínio dos sistemas reptilianos e límbicos, fases essas em que se constroem mecanismos de defesa do

tipo hormonal e neuro- vegetativo. Em relação ao temperamento o que se pode fazer é ajudar, como dizia Perls, na Auto Regulação Organísmica, e como dizia Reich em termos de "Tensão-> Carga-> Descarga" ( energéticas) - o que de fato vem a dar no mesmo, por metodologias diferentes.

A situação pós-natal diz respeito à fase das defesas neuro- musculares (couraças), por volta dos 9 meses de vida, após o amadurecimento do sistema cortical em diante, inicia-se o que Perls chamou de Camada Postiça (Ego) - ou seja, a defesa , através da estruturação do Ego, com seus personagens, papéis e performances.



Self é processo, movimento. Ego é estrutura,massa.

As Resistências, correspondem ao modo de defender seu Self (processo) e defender seu Ego (estrutura), quando em relação.

IDENTIDADE


Nós somos a única espécie, em toda a natureza, que é capaz de refletir, de se perguntar sobre de si mesma.

Bichos, por mais parecidos com o homem que possam ser, não se perguntam "Quem Sou eu?

O que estou fazendo aqui? Qual é o sentido da vida e da morte?"
Para o ser humano é absolutamente fundamental encontrar um sentido de Ser, de Ser SI Mesmo e encontrar um lugar e uma forma para Ser, que seja Único e Legítimo.
É muito doloroso quando não conseguimos ser nós mesmos.
Quando tentamos manter uma fachada, um personagem...

Ou quando não encontramos um lugar que seja nosso no mundo, onde tenhamos o sentimento de pertencer, de fazer parte, de contribuir, trocar e onde nos sintamos vistos, aceitos, reconhecidos e respeitados em nossa unicidade.

Buscamos nosso Senso de Ser, ou seja, nossa Identidade.

Ser quem se é, é tarefa para a vida toda, desde o nascimento.
Começa no COMO choramos, no COMO aceitamos o alimento, no COMO dormimos, até mesmo no COMO respiramos, COMO sentimos, COMO nos movimentamos, COMO agimos.

Ouvimos muito expressões do tipo "ser eu mesmo", "ser verdadeiro", "ser dono de mim mesmo".

Mas afinal, como se consegue isso?



Dentro do útero a criança dispõe de todos recursos para sua evolução, maturação e a sobrevivência. Tudo que ela tem a fazer é estar neste ambiente favorável e ser receptiva às trocas energéticas entre o organismo-mãe e seu próprio organismo. Neste estágio fusional, os dois organismos são diferenciados para a mãe e os observadores externos. A partir do corte do cordão umbilical, a criança se torna um ser separado, buscando união (diferente de fusão) com o que é "o outro de si".

. Nunca mais retornará ao estágio fusional original. Esse senso de união depende, paradoxalmente, de um senso de separação. E é esse paradoxo que a criança procura resolver constantemente, assim como os adultos.

A função que corresponde à necessidade de união e separação é o "contato". É através do contato que a criança tem a possibilidade de se encontrar com o mundo externo, no sentido de se prover. Ela faz contato a cada momento, seguido imediatamente de outro, num fluxo contínuo de ritmo, orientada pelas necessidades e pela qualidade dos contatos anteriores.

Todos os contatos por ela experenciados formam o que chamamos de seu Fundo.

A mãe ou quem faça a função materna (pode ser o pai, a avó etc) a toca, olha e vê, nutre, aconchega, fala com ela, sorri para ela, recebe- a, conhece-a e lhe quer bem, dando-lhe, desta forma, o apoio para sua pulsação energética do viver. A criança é sozinha e para sobreviver e viver precisa encontrar a mãe ou a função materna, o pai ou a função paterna. Agora, nesse estágio, a criança está em
simbiose e tudo o que a mãe ou figura materna tem a fazer é criar este ambiente favorável e ser receptiva às necessidades do bebê. Estar presente como um "sinal" que propicia clareza e referência.

Ao nascer, o bebê tem uma dissociação fisiológica que matura com o tempo e necessita e busca essa “mãe-sinal” para a sua integração, em um funcionalismo unitário, que possibilite seu contato com a realidade.

Ser, começa no início da vida, com um bebê e sua mãe ou outra pessoa que cuide como mãe.

No momento da união, o pleno senso que a mãe tem de si mesma é colocado a serviço de uma nova criação e, embora ela e o bebê se tornem "nós", é esse senso de si mesma que permite um bom contato com o "outro de si" como um elemento integrador e não como um elemento de dissolução e/ou alienação. Desse modo, a mãe promove a possibilidade do bebê se identificar -(desenvolver identidade). Ao recém-nascido se torna, então, possível a função essencial de seu Self: os ajustamentos criativos de sua auto-regulação organísmica, no mundo.

Os ajustamentos criativos incluem a auto-regulação organísmica (intrapessoal), a abertura ao novo e ao contato vivificante e vitalizante (interpessoal). O ajustamento criativo tem a ver com a dialética de continuidade, com a mudança e a possibilidade de inserção cultural, do novo no velho, para formar uma nova configuração (GESTALT).

Etimologicamente, contato quer dizer estado em que se encontram corpos que se tocam, isto é, a ação de tocar, resultante da aproximação entre duas coisas. Também etimologicamente, referência quer dizer resultante da ação de referir (estar em relação).

Entramos em contato quando dois organismos se põem em relação ,se tocam e se comunicam, isto é, quando são "tocados" um pelo outro, seja através de sensações, percepções, sentimentos, pensamentos ou movimentos.

No início da vida, quando contatos são feitos, existe uma carga de excitação energética no organismo do bebê e no da mãe/função materna, que culmina em um senso de engajamento, de ressonância energética e de campo energético. O que caracteriza um "Bom início de vida" ou o "Ser nascido" é a qualidade energética destes contatos, "Como" se vê, escuta, toca e etc.

“Como se sente visto,escutado,tocado" etc.

Segundo Erwing Polster, "O contato é o sangue vital do crescimento, o meio de modificação da pessoa e das experiências que ela tem do mundo. O contato é incompatível com permanecer igual. A mudança é o produto inescapável do contato porque a apropriação da novidade assimilável ou a rejeição do inassimilável levará, inevitavelmente à mudança".

O contato se realiza numa fronteira em que o senso de separação é mantido de tal modo que a união não ameace a existência e sim que a possibilite. Esta fronteira onde contato se realiza é um ponto pulsante de energia.

A Fronteira de Contatos é o ponto em que a pessoa experimenta seu "eu" na relação com o "não eu". Depende da densidade e da qualidade dessa energia pulsante na Fronteira de Contato para que o "Eu" seja vivenciado de forma mais ou menos clara e nítida. Então, a conscientização é, na verdade, a auto-percepção energética e é percebido como senso de "Eu". O contato não contém somente este senso de "próprio eu". Envolve também o senso de qualquer energia que esteja presente nesse campo, seja de uma forma adequada, seja de uma forma sentida como violadora ou ameaçadora dessa fronteira.

O recém-nascido não possui a habilidade de discriminar o universo de "Si" do "Outro de si",

"Eu" do "não eu". Ele depende do fato da figura materna e da figura paterna possuírem esta habilidade para que sua própria regulação e integração organísmica se faça. O contato-referência é então o possibilitador de identidade.

Disfunções do contato comprometem a identidade por impedir a plenitude desde a gestação e o nascimento, quando, na realidade, um bom contato-referência possibilitaria que as funções sensoriais pudessem se estruturar, levando a percepções acuradas e adequadas à realidade organismo/ meio.

Nesse começo da vida, tudo em volta é estranho, é mais ou menos a sensação que nós teríamos num sonho, como se estivéssemos meio dormindo meio acordados. "Subitamente", para o bebê, aparece uma mão e lhe faz um carinho, surge um rosto grande rindo e, na hora da fome um bico de seio entra na sua boca...

Nem dá para saber de onde vem isso tudo, e parece que aquele bico de onde sai leite é uma parte do seu próprio corpo que não conhece. É meio mágico... Afinal bastou chorar de fome que o alimento apareceu...

A necessidade que a criança sente (Fome como Figura ) jamais pode ser percebida e entendida separada (nesta fase) do seu contexto de dissociação fisiológica em contato com o mãe ( Fundo).

Nesses termos, no início da vida, o bebê é Figura e a mãe e o pai são o Fundo, nesta relação.

É a comunicação da criança que vai apontar o caminho para a mãe, em termos de uma procura mais ampla e adequada para o atendimento de suas necessidades,

integração e auto percepção (conscientização), possibilitando sua formação de uma estrutura organizada, de uma "Boa Forma".

O Fundo (mãe/pai) não possui o mesmo magnetismo da Figura. É ilimitado e informe, e sua principal função é fornecer um contexto que proporcione profundidade para a percepção da Figura, dando-lhe perspectiva, mas, impondo pouco interesse independentemente da Figura. A vitalidade do Fundo está em sua fertilidade e disponibilidade energética.

O Fundo é uma fonte de formações figurais continuamente novas. A pessoa não só estrutura o que percebe em unidades econômicas de experiência como também altera e filtra tudo o que vê e ouve, harmonizando seletivamente, suas percepções com suas necessidades internas.

No início da vida, o bebê faminto se inclina a perceber a mãe como "sendo um seio" porque ele necessita do seio (Figura) como fonte de nutrição. A mãe propriamente dita, momentaneamente, é o Fundo.

Ou então, parece, ao bebê, que foi ele quem criou aquela fonte de alimento só por ter fome e desejar alimento.

Para bebê, não há uma diferenciação e uma discriminação clara entre ele mesmo e o mundo que o cerca.

O ser vivente revela ter tendências a organizar tudo de modo englobante.
É uma ligação muito especial essa dos primeiros tempos de vida do bebê.
A mãe e ele, parecem ser uma pessoa só, são como dois em um.

É iniciado o processo de Identificação



Toda a vida do ser vivente é em certo sentido, Fundo para o momento presente. Toda a vida incluindo o momento presente é Fundo para o surgimento das Figuras futuras.

Os fatores que compõem o fundo de uma pessoa são:

- as experiências de vida anteriores ao momento presente

- o montante de situações inacabadas, seja por insatisfação ou frustração.

- o fluxo de relacionamentos de Figuras e Fundo na experiência Presente



À medida que se desenvolve, a criança vai ficando um pouquinho mais independente ( é ela quem informa que pode ser desmamada), e devagarzinho vai precisando menos dessa ligação tão estreita com a mãe.

Já pode ficar um pouco sozinho no berço, brincando, já sabe que é mamãe que dá a comida...

A mãe percebe que o bebê vai precisando menos e, a essa altura, ela também já está cansada e quer voltar a ser ela mesma. Assim, começa a se desfazer aquela relação em que os dois formavam um só, como uma
Simbiose.

Ser "referencial" significa essencialmente que as atitudes maternas suprem o bebê com qualidade, podendo emergir figuralmente, compatibilizando o fundo, dando -lhe contorno e senso de "eu".


. Tanto a mãe quanto a criança trabalham para isso. A mãe, saindo devagar, avaliando as reações do bebê, estimulando a independência.O pai surgindo como uma nova possibildade

E a criança, descobrindo o mundo e suas próprias capacidades e habilidades para SER e viver satisfatoriamente.

Esse período em que o bebê tem o sentimento de que tudo em volta é dele ou ele é quem criou, começa a se desfazer, pouco a pouco. Processo de diferenciação.

E é importante que seja assim. Esse sentimento de "ser o criador de seu mundo" vai ajudar a ter confiança suficiente para poder perceber e aceitar que, na verdade, ele era "criador apenas de si mesmo".

 

TER x SER
Quanto mais se pode SER, mais se pode FAZER a partir do SER.

Quanto mais se pode FAZER a partir do SER, mais fica clara a diferença entre o que é essencial e o que é supérfluo para SER SI MESMO.
Mas nossa Sociedade Capitalista, de hoje, estimula o indivíduo a TER a maior quantidade possível de recursos materiais para vir a SER isto ou aquilo, ou seja, confunde o essencial com o supérfluo.
A "isca" vai na direção de pegá-lo pelo rótulo (pela imagem que os outros têm de si), e como digo, rotular e julgar é sempre um estupro da realidade....

Quando se cai em si, a pessoa já entrou na competitividade do mercado para sobreviver.

E o viver e o ser, se perdem.
Se você não se matar de trabalhar para que seus filhos e família TENHAM um bom apartamento, um bom carro, bons colégios, celulares, computadores, roupas de grife, isto significa que você NÃO É uma boa mãe, um bom pai ou um profissional bem sucedido, não honrou o esforço de seus pais - falharam, fracassaram.


As pessoas correm para acompanhar a evolução dos tempos modernos: onde ter conhecimento significa estar atualizado; ter um bom emprego (atuando numa boa empresa e sendo bem remunerado) significa competência, onde o emprego formal cada vez mais está escasso e disputado; ter poder e posição é sinônimo de sucesso; ter bens significa status.


SÓ QUE SIGNIFICAR NÂO É O MESMO QUE SER


Enfim, todos sonham, aspiram e torcem sempre em buscar o "dito" como sendo o melhor para si e não o "sentido" e “feito” como sendo o melhor para si.
E tudo isso se torna possível na medida em que se conquista através, de abrir mão de SER e do FAZER muitos sacrifícios, em vez de rever sua reais necessidades, prioridades,ações e estratégias.

Esta Sociedade Materialista, de hoje, com a qual compactuamos, induz os indivíduos a assimilarem conceitos de masculinidade e de feminilidade de fora para dentro (Papéis e Gênero). Que conceitos são estes?

- É mais "homem" o sujeito mais provedor, mais durão, mais mulherengo, melhor de cama (seja lá isto o que for),
mais rico, mais "mandão", mais sarado e poderoso, melhor sucedido do que os demais
- É mais "mulher" a melhor mãe, a melhor dona de casa, a melhor profissional, a mais auto suficiente, a amante mais
sexy, a mais turbinada, a mais siliconada, a mais plastificada do que as demais...


Na atual sociedade, SER você mesmo, dentro de sua medida, de suas aspirações pessoais, de suas reais possibilidades é sinônimo de que aquele bebê, que falei anteriormente, não só "NÃO era criador de seu mundo" como "não deve CONFIAR" em sua capacidade de ser criador, apenas de Si Mesmo.
A identidade Sexual, necessariamente, passa pelo corpo e pelo contato familiar
A identidade de gênero, necessariamente, passa pelo Social (cultural, familiar, moral-religioso).




O QUE É GÊNERO

O termo gênero surgiu no mundo acadêmico no momento em que pesquisadoras feministas, buscavam, através dos chamados estudos sobre mulheres, des-naturalizar a condição da mulher na sociedade (SIMIÃO, 2000).
"Deixavam de existir" a Mulher e o Homem e, passaram a existir o Gênero feminino e o Gênero masculino.

O gênero, segundo as feministas, tem a ver com a maneira que as diferenças entre mulheres e homens assumem, nas diferentes sociedades,no transcorrer da história da humanidade.
O social nos rotula independente daquilo que verdadeiramente somos.
Rotular é sempre um estupro da realidade.
Ao nascermos, preenchem em nossas certidões: sexo masculino ou sexo feminino.
Para que tais informações fossem expressão da realidade, seria necessário um consenso sobre o que é ser masculino e ser feminina. O único consenso que temos é sobre quem é macho ou fêmea, assim mesmo, baseados na espécie animal.

Enquanto que, na Identidade Sexual nos baseamos nas diferenças anátomo-neuro-fisiológicas existentes entre os homens e as mulheres, nas Questões de Gênero nos baseamos no que deveria ser masculino e feminino como realização cultural, na Divisão sexual do trabalho, na aceitação e compreensão dos mecanismos utilizados pela sociedade na construção do sujeito mulher e do sujeito homem, na aceitação de compreensão da existência de concepções variadas a respeito da mulher e do homem, e na Divisão Sexual do Cuidado, onde se espera que as mulheres cuidem dos homens, das crianças, da casa e de si mesmas.

As próprias mulheres cobram isto de si mesmas e ensinam isto a seus filhos e filhas.

 E, consequentemente, parece haver uma expectativa masculina de que nascer homem os autorizaria a esperar cuidados (comida e roupa lavada, monitoramento da saúde e etc.) e a frustração dessa expectativa pode levar a conflitos nas relações "adultas" entre mulheres e homens e levá-los a assumirem o papel do "pobre homem largado", onde obviamente, a mulher é a culpada...
Onde fica o auto - cuidado que cada mulher e cada homem deve ter ? Onde isto deixou de ser aprendido ?


Culturalmente, já na infância, meninos e meninas são
educados para agirem e se comunicarem de formas diferenciadas. A eles são ensinados direitos e deveres diferentes, criando assim as sub-culturas e quando tentam comunicar-se entre si, geralmente, são mal sucedidos.


Como vem, vagarosamente, mudando isto ?


Estimulando, com a educação, um pouco mais o Hemisfério Esquerdo Cerebral nas meninas e um pouco mais o Hemisfério Direito Cerebral nos meninos, com o objetivo do equilíbrio e cooperação maior entre estes hemisférios, proporcionando seres mais capacitados para a criatividade e ação, para empatia e objetividade, em termos de inteligência lógica e inteligência afetiva etc.

Estimulando a auto-estima, a responsabilidade e a co-responsabilidade, a compreensão de seus universos diferentes,a co-operação e solidariedade.

E que apesar das diferenças homens e mulheres são “equi-valentes”.


O sexo com certeza, não é mais uma variável demográfica, biológica ou natural, mas traz toda uma carga cultural e ideológica
A questão de gênero é uma questão relacional enquanto processo social e seu conceito deveria ser capaz de captar a trama e os dramas das relações sociais.
Scott, em 1990, disse: "gênero deve ser visto como elemento constitutivo das relações sociais, baseadas em diferenças percebidas entre os sexos, como sendo um modo básico de significar relações de poder".



Que coisa mais antiga!


Hoje, em 2005, penso que as relações entre mulheres e homens podem ser baseadas nas diferenças e nas
equivalências e não em relações de poder, nem nos jogos de “dominador x dominado”.
A Educação está dando condições de tanto mulheres quanto homens desenvolverem mais e melhor, seus dois hemisférios cerebrais ( Esquerdo e Direito - erroneamente chamados de masculino e feminino, respectivamente)
Com isto, as relações não precisam mais ser pautadas apenas nas diferenças sexuais e na tentativa de definir o que seja feminilidade e masculinidade. E sim nas diferenças que se equivalem e se conjugam, criando diversas formas de relacionamentos entre homens e mulheres, abrindo mão de uma Padronização de Ser e/ou de Desempenho de Papéis, seja para as mulheres, seja para os homens.


Somos diferentes (e viva a diferença ! )

E somos equivalentes ( =o mesmo valor ).
Sem disputas, sem opressões.


Cada um com suas singularidades e ambos se harmonizando nas diferenças e nas momentâneas diferenças de habilidades.
Chega de cometer o erro de nos supormos iguais. Somos, apenas, equivalentes.
E como equivalentes, temos todos (mulheres e homens) os mesmos direitos.
E, equivalentes, somos todos aprendizes de novas habilidades na arte de Ser e de nos relacionarmos.
Estarmos abertos ao novo é o "x" da questão..

.
SUBJETIVAÇÃO


Quando se fala em relações de poder, estamos falando então de relações entre opressores e oprimidos. Em termos de "oprimidos" as mulheres têm um grande know-how, já que por séculos a mulher se colocou na posição de viver na "voz passiva", de viver "em efeito" de diversas pessoas,de conceitos e preconceitos, de aceitar humilhações, papéis e/ou personagens, sem saber viver como "sujeito" da própria vida..
Sendo sempre o objeto do outro e não o sujeito de si


Subjetivar, etmológicamente, vem do latim (subjectivus,a,um) que no século XV significava "aquele que se submete a" e apenas em 1801 ganhou o significado de " relativo à vida psíquica do sujeito"
Psiquico, etmológicamente, vem do grego que significa que é relativo ao sopro, à vida, relativo os seres vivos, relativo à alma como princípio de vida e como oposição ao corpo .


E esta dicotomia entre psíquico e corpo perdura, infelizmente, até os dias de hoje:


- "Eu me sinto uma mulher aprisionada no corpo de um homem" (= não me identifico com meu corpo)
- "Eu me sinto um homem aprisionado no corpo de uma mulher" (=não me identifico com meu corpo)
- "Eu não estou com a menor vontade de fazer sexo, mas preciso fazer" (= não me des-identifico dos "deverias" da vida)
- "Eu não estou sentindo o menor prazer, mas vou fingir um orgasmo" (=permanente identificação com o "script")
- "Vou a uma sexy-shop porque preciso "me ligar" com algum brinquedinho" (=dificuldades de se envolver através do contato criativo com o outro)
- "Vou tomar este Viagra para que ele me dê a vontade e a potência que meu corpo não sente ("potência que eu não sinto")


Tudo como se nós não fôssemos nosso corpo, como se o psiquismo não vivesse dentro do corpo, como se as sensações, sentimentos e "anestesias" não ocorressem dentro de nossas mais íntimas partes de nossos corpos.
Tudo, um sofrimento que nos impomos para corresponder às expectativas sociais, familiares, políticas, religiosas e morais que têm sobre nós.
Tudo PERFORMANCE....


VAMOS FALAR DE MULHERES e DOS HOMENS ?


Até 1960, o conservadorismo da sociedade em relação ao comportamento sexual tinha como grandes aliados a associação quase que imediata entre:
1- sexo associado à reprodução e não ao prazer - VEIO A PÍLULA
O que mudou ? (a pílula veio dar libertação sexual e também dando à mulher o controle da maternidade)
2- necessidade de certeza da paternidade relacionada à sucessão de bens e propriedades da família
O que mudou ? Primeiramente, a pílula destruiu esta certeza
Atualmente, a certeza foi recuperada, pela ciência e o teste de DNA
3-A honra masculina ainda dependia da integridade do hímem e da fidelidade feminina, que dá como garantia atitudes submissas, castas e de posicionar-se como objeto e propriedade dele.
O que mudou hoje com a liberação da mulher?

O homem se torna mais violento com a mulher, em defesa da honra, confundindo violência com potência e respeito.
4- A honra da mulher era dependente do casamento ( a casada era sempre vista como honesta) – mas aí,VEIO O DIVÓRCIO.
O número de casamentos diminuiu , aumentou o de separações, a mulher enfrentou o "desquite", passou a ser vista como desonrada e ameaça para os casais e a famíla, enfrentou a separação consensual e divórcio, o desprezo social, o falatório – e passou de santa à puta.
5- Com os divórcios e a quebra dos laços familiares, cresceu o número de filhos criados sem apoio paterno. São crianças concebidas por mães solteiras ou mulheres abandonadas por seus companheiros. E o trabalho feminino, mais que uma aptidão, um desejo, um pendor ou uma tendência natural, se torna uma obrigação e uma necessidade.

Virou um dever da “mulher verdadeiramente emancipada”.



Que liberação da mulher é esta em que ela:
-atua como um homem
- sofre como mulher
- e carrega nas costas, tudo, como uma “grande mãe”?


Enquanto isto, o homem foi permanecendo o mesmo, livre
de muitos papéis e se sentindo podendo cada vez menos frente a mulher.

Enquanto a mulher se sente presa a inúmeros papéis e podendo cada vez mais.


Nunca houve tanta impotência de Self e estresse hoje, como há 40 anos atrás.
É um festival de Ego e Performance.


Os homens de nossa cultura esperam que as mulheres sejam sempre iguais - isto é que não mudem e para não mudarem, as mulheres se encouraçam mais.

As mulheres esperam que seus homens mudem sempre - isto é, não aceitam o jeito de ser daquele por quem se apaixonaram- “eles sempre podem dar uma melhoradinha”.



Desde 1960, algumas mulheres andam competindo com os homens.

Copiaram o que os homens tinham de “pior", em termos de "exercício de poder”. E tornaram-se uma “mulher fálica”.

E, nesta competição, a mulher perdeu a possibilidade de coisas como:

-que o homem lhe abra a porta do carro, que seja gentil,

-que a proteja

-que compartilhe cuidados e tarefas espontaneamente por se sentir necessário e valorizado

-que se mostre sensível, humano e falível etc

E, se o homem faz gentilezas, se mostra sensível, falível e quer corresponder ao que ele acha que ela quer dele (ser mais "feminino") ou quer "bancá-la", a própria mulher, hoje, ou desconfia de sua masculinidade ou continua chamando-o de machão...



Em 2005,o homem (me parece) está confuso e com medo.

E a mulher cansada e frustrada.

Felizmente, há exceções.

Mas exceções não são a regra...



CONCLUSÃO:


Um dos objetivos das feministas era tornar a mulher visível para a sociedade que, até então, era vista apenas como mãe e esposa amorosa, dedicada e santificada. A história era (ou ainda é) construída sem levar em conta a participação da mulher, suas conquistas e anseios, sua forma de ver o mundo e de interagir com ele.
Com o sexo mais freqüente, sem risco de gravidez, a mulher passou a ser mais exigente com seu parceiro e
pode participar mais ativamente do mercado de trabalho - o que, somado ao planejamento familiar, propiciou melhor
qualidade de vida a muitos casais.

"A pílula possibilitou uma nova vivência da sexualidade feminina. A revolução sexual só foi possível pelo fato de a mulher dissociar o sexo da reprodução e percebê-lo como um prazer. Ela também permitiu o decréscimo do número de filhos em cada família e o crescimento de famílias sem filhos, possibilitando uma maior liberdade para a mulher, tanto em sua vida pessoal quanto no mundo do trabalho. Também muda o investimento do casal, que pode se dedicar mais um ao outro - avalia a antropóloga Mirian Goldenberg"


Mas trouxe também mais promiscuidade sexual (HIV), conflitos (de poder) nas relações homem/mulher, milhões de pessoas (entre homens e mulheres) experimentaram o sexo fora do casamento.

As saias subiram, os trajes de banho encolheram.
Os filhos ficaram mais entregues às avós, às babás e às TVs. Ou às gangues e às drogas.
As ilusões se acabaram dando lugar a realidades tais que, tanto os homens quanto as mulheres, não estão sabendo lidar ,saudável e harmonicamente.


O material e o sexual têm estado com a prioridade muito acima do afetivo.
O TER tem estado com prioridade sobre o SER
A Performance tem estado no lugar do SENTIR e SER






UM POUCO DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


"Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você. Tinha gente que torcia para você ser menino. Outros torciam para você ser menina.Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai. Estavam torcendo para você nascer "perfeito".
OBS: ( sob a ótica deles)
Daí continuaram torcendo. Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo. O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E o primeiro gol, então? E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer.
OBS: (Torcer por ser capaz de fazer aquilo pelo qual torciam por você= corresponder às expectativas)
Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel. Torcia o nariz para o quiabo e a escarola. Mas torcia por hambúrguer e refrigerante. Começou a torcer até para um time. Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você.
Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano.
OBS: (Mesmo que VOCÊ quisesse estudar espanhol, dança etc )
Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana ( dentro do conceito DELES do que é ser bacana).
Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão. Eles também estavam torcendo para você ser bacana. Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.
OBS: ( Êta, conflito ! )
E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido. Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir. E quando os hormônios começaram a

torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso. Depois começou a torcer pela sua liberdade.

OBS: (= poder fazer suas próprias escolhas )
Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua. Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa. Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais. Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.
Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro. Torceu para ser médico, músico, advogado.
OBS: (Mesmo que esta não fosse a torcida "deles")
Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.
Seus pais torciam para passar logo essa fase. No dia do vestibular, uma grande torcida se formou. Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.
Na faculdade, então, era torcida pra todo lado.

Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.
E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela.
Primeiro, torceu para ela não ter outro. Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro.
OBS: (queria parecer PERFEITO)

Descobriu que ela torcia igual a você. E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho.

Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel.
E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida.

Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tem muita gente torcendo por ele.
OBS: (E fazendo escolhas por ele)
Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda não tenha conquistado algumas coisas.

Mas muita gente ainda torce por você!
Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa) do mundo, mas a poesia (inexplicável) da vida. ..


E eu completo:


... E talvez a beleza de SER quem você É e não ser uma mera questão de Gênero, Papéis e Performances



ÉTICA



A Ética tem por objetivo facilitar a realização das pessoas. Que o ser humano chegue a realizar-se a sí mesmo como tal, isto é, como pessoa. (sejam mulheres, sejam homens).

A Ética se ocupa e pretende o aperfeiçoamento do ser humano. Um olhar-se com humildade, humanidade e compaixão. Olhar-se, compreender-se, aceitar-se e aperfeiçoar-se sempre leva à aceitação do outro.

Kierkegaard e Foucault diziam que a ética grega é uma estética, ou uma poética, preocupando-se com a arte de viver, com a elaboração de uma vida bela e boa.

Éthos, segundo Aristóteles, expressa um modo-de-ser, uma atitude psíquica, aquilo que o homem traz dentro de si na sua relação consigo, com o outro e com o mundo.




EcoHum



O EcoHum tem esta base ética.

O EcoHum é um Movimento pela Qualidade do Ser Humano e Qualidade da Vida

EcoHum = Ecologia Humana que se subdivide em:

Ecologia Pessoal: aprender a ser e transcender o estado da dormência e alienação do “Eu”.

Ecologia Social: aprender a conviver e transcender o estado da indiferença e ser co-operativo, co-responsável, compassivo e fraternal.

Ecologia Ambiental: aprender a comungar e preservar os recursos ambientais promovendo a auto-sustentabilidade, bem como a interligação, com consciência, entre o necessário avanço tecnológico, a ciência e o respeito pelo meio ambiente e a Natureza.

Ecologia Espiritual: aprender a viver e transcender o estado da inconsciência e se religar com o Todo - se experienciar como um Ser Holístico.



(Autoria: Jane Rodrigues –Diretora Didática do EcoHum )



Bibliografia:

- Gaiarsa,José Ângelo – Sexo,Reich e eu – Ed. Agora

- Polster,Erving e Miriam – Gestalt Terapia Integrada –

Ed. Interlivros, MG

-Apostilas do Curso sobre Vegetoterapia Caractero Analítica dado por Federico Navarro e Umberto Liberatti do I.O.O.R – Instituto de Orgonomia Ola Raknes, onde fiz

Formação em Terapia Reichiana e Orgonomia.



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